Já faz algum tempo que as mulheres utilizam os meios virtuais de comunicação como um aparato para denunciar as violências sofridas. Em textos, artigos e redes sociais, nós podemos ler os mais diversos relatos sobre violência contra a mulher. E na manhã de hoje, uma mulher publicou o relato de várias agressões sofridas por ela em um jornal. O agressor em questão é um ator global.

A mulher é Susllem Meneguzzi Tonani, figurinista de 28 anos que há cinco veio para o Rio de Janeiro a fim de se estabelecer em sua profissão. Ela relata que foi assediada pela primeira vez há 8 meses e, desde então, as violências se tornaram constantes. Susllem conta também que os “elogios” se converteram em algo constrangedor e violento em muito pouco tempo. Dentro do camarim da empresa e perto de outras duas mulheres – que encararam o fato como piada -, ele chegou a tocar em sua genitália. Em um set de filmagem com 30 pessoas, estávamos, entre elas, ele e Susllem. Ele, prestes a dizer seu texto, ameaçou tocá-la novamente se ela continuasse a ignorá-lo. E por não silenciar-se diante da ameaça, o ator a chamou de “VACA” em alto e bom som.

Susllem resolveu​ procurar amparo legal e a empresa reconheceu a gravidade do problema, prometendo que tomaria as medidas necessárias. Como qualquer mulher, ela tem medo do que pode acontecer com sua integridade e reputação, pois é possível que as pessoas a classifiquem como oportunista. Ela ainda questiona qual tipo de medida será tomada e que punição ele irá sofrer.

São imensas as violações sofridas por essa mulher, mesmo com o medo de mais sanções, ela tomou a decisão de denunciar. Essas violências começam lentamente e pioram de forma gradual. A ideia é oprimir até que a mulher se sinta tão pequena a ponto de fugir ou de esperar calada por violências piores.

Não bastassem​ todas essas​ formas de opressão, Susllem ainda teve que ver ser apagado o artigo onde descreveu, com força e coragem, todos os seus momentos de terror. O veículo em questão alegou que o texto foi retirado do ar por ferir o princípio de seu editorial. A mesma mídia que veicula notícias tendenciosas e incansavelmente parciais a fim de manipular a informação e o leitor. O texto estará de volta ao ar assim que a parte acusada for ouvida e puder contar a história de triste de como foi injustamente acusado por uma oportunista. Não há dúvidas de que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco.

O Estado, a sociedade, o executivo, o legislativo e o judiciário: não há trégua com as mulheres. Não há quem nos dê a voz que merecemos, não há quem nos apoie ainda que façamos um escândalo além de nós mesmas. E nós faremos um escândalo. Juntas.

Deixem a Susllem falar!

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