Encontrar filmes autobiográficos, nos dias de hoje, não é algo tão difícil de encontrar. Difícil mesmo é encontrar algo que se destaque, que se diferencie dos demais e que, de preferência, possas nos agregar algo. Não que toda história tenha que ter uma lição, mas é bom sentir aquela sensação de ser grato a algo ou a alguém. Depois de um longo jejum, essa semana, nossa coluna de cinema te leva as emoções mais fortes que você irá sentir enquanto assiste a esse belíssimo longa australiano. A Bonequinha Viu… Holding The Man.

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Baseado no romance de Timothy Conigrave, a história narra a paixão entre Tim (Ryan Corr) e John (Craig Stott), que se conheceram ainda na adolescência. John era o típico cara bonitão, capitão do time de futebol americano, enquanto Tim um jovem ator que buscava uma participação na peça Romeu e Julieta. Essa história de amor que se manteve viva por 15 anos, atravessando bons e maus momentos durante todas elas desde separações, preconceito, novas experiências, ciúmes e até mesmo perdas.

Para quem já conhece a história ou já leu o livro, sabe que tanto um quanto o outro narram a história de Tim Conigrave e John Caleo que viveram juntos por mais de 15 anos e enfrentaram juntos um momento um dos momentos mais difíceis de suas vidas: descobriram-se portadores do vírus HIV.  Com um pano de fundo entre o final dos anos 70 até a primeira metade dos 90, dá para imaginar o quanto a narrativa que será assistida carrega uma grande carga emocional. O roteiro é capaz de provocar lágrimas aos corações mais duros isso, porém, não isenta alguns erros de direção e adaptação do livro para as telas. Um deles, por exemplo, foi usar o mesmo ator para interpretar duas fases tão distantes da vida. Não há dúvidas que alguns conseguem esse feito, mas a escolha de Corr e Stott não conseguem convencer a quem está assistindo.

Neil Armfield, diretor do filme, teve muita sensibilidade e conseguiu que os atores entregassem bem o que foi proposto para a produção, aliás a química entre eles é maravilhosa e funciona perfeitamente, mas deixa muitas lacunas faltando. É comum a gente se perder no filme e não saber quando e onde está se passando determinada cena, o que essencial em um filme autobiográfico.

Confesso, que me agradam bastante os dramas concentrados nos protagonistas, mas o diretor peca bastante ao não explorar outras personagens e momentos tão importantes, como na fase da vida em que eles decidem não ser mais monogâmicos, os embates com suas famílias sobre a aceitação de suas respectivas sexualidades e até mesmo o tratamento da AIDS, não parece algo real como podemos ver nos relatos da época. Havia um enorme preconceito e uma rejeição muito grande, mas isso é pouco explorado.

O que mais conquista o público no filme, além da interpretação dos atores, é a fotografia e a maquiagem que são perfeitas. Há também de destacar a trilha sonora do filme, que consegue dar o ritmo certo em cada cena, tirando um pouco o peso da história. É obvio que o romance e o drama são as cerejas do bolo, fazendo com que quem estiver assistindo se esqueça completamente desses “pequenos” incômodos que mencionei antes.

Nota3

Não há a menor sombra de dúvidas que o filme agradará bastante ao seu público e o levará as lágrimas em várias e várias cenas. Mesmo não sendo perfeito, a produção foi muito bem feita e o resultado final é mais que satisfatório, mesmo que estejamos falando de uma história que dava para abordar pontos bem mais relevantes em seus mais de 120 minutos. O que preciso dizer é que ele é uma parada quase que obrigatória, para que alguns entendam que amor é algo que vai muito além da alegria e da saúde e que, às vezes, pode estar bem mais próximo de seus reveses.

Lançado no Brasil ano passado diretamente na Netflix, o filme pode ser assistido ainda nessa plataforma com legendas em português.

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