Se o Halloween representa a perseguição às bruxas, o Dia dos Mortos foi alterado para “Día de Las Muertas” por mulheres latino-americanas que estão revolucionando toda uma geração e transformando a dor das estatísticas cruéis em grito e protesto.

venusTambém conhecido como dia das bruxas,  o Halloween reacende toda a história acerca das muito simpáticas – porém perseguidas – mulheres que moravam em florestas, usavam roupas escuras, eram responsabilizadas por todas as coisas ruins que aconteciam e terminaram queimadas pelo fogo da Inquisição. Assim é contada a história, e o mais curioso de se comemorar o Halloween é falar das atrocidades às quais muitas mulheres foram submetidas como se isso não acontecesse mais.

Se parte das mulheres brancas foram perseguidas, estupradas e queimadas por praticarem bruxaria, todas as mulheres negras já nasciam submetidas a uma realidade muito pior, que desde cedo já as tornava alvo de violências diversificadas nas mãos de homens e de mulheres brancas. Os anos de escravidão se mostram nos números sobre violência contra a mulher negra, pois enquanto o feminicídio de mulheres brancas diminuiu 10%, o de mulheres negras aumentou 54%, o que mostra que o cenário não mudou muita coisa.

A realidade é que nós ainda somos estupradas, assassinadas, silenciadas, empaladas com estacas de madeira. Se não somos submissas ou não nos conformamos fácil com qualquer coisa, somos as chatas, as bruxas, as loucas e de nada adianta nos submetermos, porque a verdade é que mesmo não sendo mais consideradas bruxas no sentido de praticantes de bruxaria, seremos sempre perseguidas.

O Brasil foi considerado recentemente o pior país da América do Sul para se nascer mulher. No México, seis mulheres são mortas por dia enquanto que no Uruguai, 22 mil denúncias de violência de gênero foram registradas. No Chile, 39 mulheres foram mortas esse ano e na Argentina, uma mulher é assassinada a cada 30 horas.

Se está provado que a violência contra a mulher é muito presente na América Latina, por outro lado, a força do movimento feminista cresce em resposta. O “Ni Una Menos”, movimento argentino que grita pelo fim do feminicídio e da violência contra a mulher ganhou força e protestos em apoio já aconteceram em boa parte da América Latina, inclusive no Brasil.

Na Argentina, uma estudante de 16 anos foi sequestrada, dopada, estuprada e empalada com uma estaca de madeira. A América Latina foi às ruas contra mais esse feminicídio, protestos ocorreram em vários países. No México, hoje é comemorado o Dia dos Mortos, dia de celebração em memória aos mortos e mortas, porém, as mulheres mexicanas foram às ruas e transformaram a data em protesto contra o feminicídio. Várias mulheres foram às ruas na Cidade do México para dizer não à violência de gênero em todo o país.

A América Latina é uma mulher que chora a morte de suas filhas, mas que também é luta e transformação. Avante, companheiras!

En memoria de Lucía Pérez

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